29 de mar de 2010

nothing's inside

          Hoje eu posso sinceramente dizer que fiquei surpresa quando abri meu orkut. E não foi pela ousada quantia de 6 recados (e nenhum era spam!) mas sim um depoimento (daqueles secretos, sabe?) da minha melhor amiga. ODEIO essa expressão porque tenho algumas (três? talvez quatro...) amigas que sabem ser a "melhor", cada uma de um jeito. Mas, enfim... no depoimento há (tempo presente, não vou deletá-lo) um link para o blog dessa amiga, também secreto. E nesse blog, desabafos.
        Claro que eu li tudo lá. E tinha um post sobre mim. Uma coisa que ela me disse uma vez ela escreveu lá. Que por mais amigas que possamos ser, ela sente uma "competitividade" entre a gente. No jeito como eu me comporto, talvez. Eu sou assim mesmo, com todo mundo... eu não assumo isso muito abertamente, eu tento me controlar. Mas sempre que temos intimidade com alguém, mais proximidade, certos aspectos da nossa personalidade se sobressaem. Eu não faço por maldade, nem quero humilhar ninguém. Eu simplesmente quero ser melhor, quero demonstrar que eu também consigo, que eu posso ser MAIS.
      Isso acontece, ao meu ver, porque eu SEMPRE sou (ainda tempo presente) a amiga da fulana. A tal fulana é a menina mais bonita, a menina mais inteligente, a menina mais divertida, a menina mais simpática, a menina mais popular, a menina mais cobiçada, a menina mais desejada, a menina mais talentosa, a menina perfeita, a menina que se veste vem, a menina que tem o melhor perfume, a menina mais fotogênica, a menina que tem tudo de melhor. Não importa quem fosse a minha amiga no momento, ela era o e-mail, eu era o anexo. Ela era o produto, eu era o brinde. Ela era a protagonista, eu a figurante.
    Com o passar do tempo, eu cansei de aceitar isso. O que elas têm que eu não tenho? O que essas pessoas enxergam nelas? Por quê diabos ninguém me nota? Já chorei muito, MUITO MESMO por causa disso. E nunca, nunca mesmo, contei isso pra alguém. Nunca ninguém soube que por causa de uma dessas amigas eu assisti, durante uns 6 meses, TODOS OS DIAS ANTES DE IR PARA A AULA, o clipe "Everybody's Fool" do Evanescence. Por quê?

Tradução da música:
Perfeição da natureza
Ícones da própria indulgência.
Exatamente o que todos nós precisamos,
Mais mentiras sobre um mundo que

Nunca foi e nunca será.
Você não tem vergonha?
Você não me vê?
Você sabe que fez todo mundo de bobo

Veja, aí vem ela agora
Cumprimente e encare com adoração.
Oh! Como nós a amamos.
Nada flui quando você está fingindo

Mas agora eu sei que ela
Nunca foi e nunca será.
Você não sabe o quanto me traiu.
De alguma forma você faz todos de bobo

Sem a máscara
Onde é que você vai se esconder?
Não consegue encontrar a si mesma
Perdida em suas próprias mentiras

Eu sei a verdade agora
Eu sei quem você é
E eu não te amo mais

Nunca foi e nunca será.
Você não sabe o quanto me traiu.
Você sabe que fez todo mundo de bobo

Nunca foi e nunca será.
Você não é de verdade e não pode me salvar.
De alguma forma agora você é a chacota de todos

      Não sei se dá pra entender, mas isso me fazia ficar com tanta raiva (foi no ano que eu estava no terceirão, muita coisa aconteceu e eu odiava muita gente) de ser sempre a amiga feia, sem talento, sem papo, sem qualidades e sem porra nenhuma que fosse interessar a qualquer idiota que eu quis começar a SER. Eu queria ser alguém, queria ser admirada, queria principalmente ser notada pra que assim as pessoas gostassem de mim. 
     Claro que não funcionou. Eu continuei como sempre fui a minha vida toda: a menina que era amiga dos meninos. Eu tinha minhas amigas ainda, todas que me enchiam de ódio não por atitudes ou coisas assim. Mas por serem tudo aquilo e eu não conseguir ser nada. Prefiro até hoje ter amigos homens porque odeio me sentir ofuscada pelo brilho das meninas. É muito ruim isso tudo, porque eu amo minhas amigas... mas o ódio me queima frequentemente quando pequenas coisas que acontecem parecem vir com uma placa gigante e luminosa que só eu vejo "Nossa, você não é nada perto delas."
     Por tudo isso, minha facilidade em fazer amigos. Mais ainda: minha facilidade e prazer em ser amiga de pessoas bizarras ou excêntricas. Diferentes. E que não "combinem" com essas minhas amigas perfeitas.
Eu ainda sinto tudo isso mas é algo com o qual eu convivo agora. Não tenho mais vontade de aparecer como antes. Apenas quero ser notada como alguém e não como AMIGA de alguém. Eu não aceito elogios, não acredito quando dizem que gostam de algo que eu fiz, desconfio quando dizem que gostam de mim. Mas eu finjo ser alguém normal sem paranóias e se dizem "Cara, eu gosto de você, você tem umas fotos tão legais, você tem talento pra isso!" eu sigo o lema dos pinguins de madagascar: "Sorria e acene.".

         Não posso dizer que não sou mais competitiva. O esforço pra ser notada foi tão longo e por tanto tempo que isso é normal pra mim. Eu falo alto, tenho um riso escandaloso, me visto diferente, faço coisas excêntricas, sou meio bastante esquisita. Mas eu SOU mesmo assim, eu fico à vontade assim. Já faz parte de mim ser uma pessoa que pede atenção com linguagem corporal. Ainda tenho fortes dores no meu coração de vez em quando... quando minhas amigas me superam sem um esforço sequer, sem uma gota de suor derramada. Ainda sofro com isso sim. É baixa autoestima, é depressão, é frescura. Pode pensar o que quiser. Eu convivo com isso e, em momentos de revolta extrema, é um incentivo para ser mais, para melhorar. Ainda não perdi ninguém com isso. Mas eu preciso disso tudo... Vivo assim há tempos e pareço me encaixar melhor agora, que encaro tudo de uma forma que criei do que quando isso me levava cada vez mais para baixo.

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